9 exames de check-up sem indicação para quem não tem sintomas — e quando eles passam a fazer sentido

Dr. Angelo Bannack

Atualizado hoje

Acontece quase toda semana no consultório. O paciente senta, tira do bolso uma lista — ou abre no celular — e começa a ler: cortisol, testosterona, um perfil hormonal completo, teste ergométrico, ultrassom de abdome total. Pesquisou na internet, viu num grupo, ouviu de um amigo que fez tudo isso e “descobriu um monte de coisa”. Ou simplesmente acredita que esses são os exames certos para ele. Eu pergunto se ele tem sentido alguma coisa. Quase sempre a resposta é não. Está se sentindo bem, só quer “ver se está tudo certo”.

A intenção é a melhor possível. Quem chega assim está cuidando da própria saúde e quer sair do consultório com tudo resolvido de uma vez. O problema é que, para a maioria desses exames, pedir sem ter sintoma não costuma ajudar — e muitas vezes atrapalha. Já dizia Hipócrates: “na dúvida, não intervenha”. Como escrevi no artigo sobre Papai Noel infartou, todo exame só deveria ser pedido se o seu resultado puder mudar alguma coisa no cuidado. Quando não pode, ele deixa de ser inofensivo: vira o primeiro passo de uma sequência de novos exames, encaminhamentos e, às vezes, procedimentos de verdade — uma iatrogenia, que é o nome que damos ao mal causado, sem querer, pelo próprio cuidado médico.

Neste artigo eu separei nove exames muito pedidos em check-ups e explico, um por um, por que costumam não ter indicação para quem não tem sintoma — e, principalmente, a cascata que um resultado mal interpretado pode disparar. Não para criticar quem pede. Pelo contrário: é justamente para que você entenda por que, muitas vezes, menos exame é mais cuidado.

Boa leitura.

📋 O essencial deste artigo

  • Pedir exame sem indicação não é neutro: cada um dos nove exames abaixo pode iniciar uma cascata de novos exames, tratamentos e até cirurgias desnecessárias.
  • Cortisol, testosterona e o painel hormonal feminino só têm valor quando pedidos a partir de um sintoma específico — não como triagem de rotina.
  • Em homens com obesidade, a testosterona total pode vir falsamente baixa: nesse caso, o passo certo é pedir mais um exame (testosterona livre), não começar tratamento.
  • A Resolução CFM nº 2.333/23 define exatamente quando a reposição de testosterona tem respaldo — fora dessas situações, a prescrição não se sustenta.
  • Teste ergométrico alterado pode levar a cateterismo e stent — mas, na doença coronariana estável, o stent não prolonga a vida nem evita infarto melhor do que o tratamento com remédio.
  • Ultrassom transvaginal anual e marcadores tumorais têm tantos falso-positivos que sociedades brasileiras e internacionais recomendam contra o uso como rastreio.

Hormônios: cortisol, testosterona e o painel feminino

Cortisol

Poucos exames são tão pedidos “para ver se é estresse” — e tão mal interpretados — quanto o cortisol. Ele tem uma variação enorme ao longo do dia: alto pela manhã, baixo à noite. Sobe com uma noite mal dormida, com a ansiedade da própria coleta, com o horário em que o sangue foi tirado. Uma dosagem isolada de “cortisol sérico”, sem padronização de horário e sem um quadro clínico que a justifique, raramente diz alguma coisa sozinha.

A investigação de excesso de cortisol no organismo — a chamada síndrome de Cushing — tem caminho próprio: cortisol na saliva à noite, cortisol livre na urina de 24 horas ou um teste de supressão com uma medicação chamada dexametasona. E a Endocrine Society, referência internacional em endocrinologia, é clara: essa investigação só começa diante de vários sinais que aparecem juntos e pioram com o tempo — gordura que se acumula no rosto e no tronco enquanto braços e pernas afinam, estrias largas e arroxeadas, fraqueza para levantar de uma cadeira ou subir escada, pele que se machuca à toa. Não a partir de um cortisol avulso de check-up.

A cascata: um valor isolado fora da faixa, sem padronização, é lido como “cortisol alterado” e dispara uma investigação da glândula adrenal — exames de imagem, encaminhamento à endocrinologia — atrás de um problema que, na imensa maioria das vezes, era só o reflexo do dia da coleta.

Quando faz sentido pedir: diante daquele conjunto de sinais que piora com o tempo, sempre com o teste certo para a pergunta — nunca a dosagem isolada de rotina.

Testosterona

A testosterona talvez seja o exame mais pedido por homens preocupados com energia, libido e disposição. E o problema começa antes mesmo de o resultado sair: um valor baixo isolado, sem sintomas e sem uma segunda dosagem que confirme, não fecha o diagnóstico de hipogonadismo — o nome técnico para quando os testículos produzem testosterona abaixo do esperado.

O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Associação Brasileira de Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), de 2026, não deixa margem: não se recomenda sair rastreando testosterona na população em geral, e o diagnóstico exige sintomas compatíveis somados a uma dosagem matinal, em jejum, repetida numa segunda amostra. A Sociedade Brasileira de Diabetes diz o mesmo: testosterona baixa, sozinha, em homem sem sintoma, não diagnostica nada.

E aqui vai um detalhe que muda tudo e quase ninguém comenta: em homens com obesidade, a testosterona total pode vir falsamente baixa, sem que exista deficiência de verdade. Acontece que a testosterona não viaja sozinha no sangue — ela é carregada por uma proteína chamada SHBG, que funciona como um ônibus. O excesso de gordura corporal reduz o número desses ônibus, então o exame, que conta a testosterona transportada, dá um número baixo — mesmo que a quantidade de hormônio realmente disponível para o corpo esteja normal. Por isso, em quem tem obesidade, diabetes ou um resultado na zona intermediária, o posicionamento brasileiro orienta calcular a testosterona livre antes de cravar qualquer diagnóstico. Repare: aqui o passo certo é pedir mais um exame — não começar um tratamento.

A cascata: esse valor “baixo” não confirmado costuma virar prescrição de reposição de testosterona. E reposição não é inofensiva. Entre o que precisa ser vigiado de perto estão a eritrocitose (espessamento do sangue por aumento dos glóbulos vermelhos, medido pelo hematócrito — se subir demais, a terapia precisa ser suspensa), a queda na produção de espermatozoides (importante para quem ainda quer ter filhos) e o acompanhamento do PSA, o exame da próstata.

No Brasil, a Resolução CFM nº 2.333/23 define com nome e sobrenome as situações em que a terapia com testosterona tem respaldo:

  • Hipogonadismo comprovado (sintomas mais dosagens confirmatórias)
  • Puberdade tardia
  • Micropênis neonatal
  • Caquexia (perda intensa de peso e massa muscular por doença grave)
  • Hormonioterapia cruzada para pessoas transgênero
  • Desejo sexual hipoativo em mulheres, e ainda assim por tempo curto

Fora dessa lista — uso estético, ganho de massa muscular, desempenho esportivo ou “reposição antienvelhecimento” — a prescrição não tem amparo científico nem regulatório. A própria Resolução CFM nº 1.999/2012 já vedava o uso de hormônios com a finalidade de retardar o envelhecimento.

Quando faz sentido pedir: diante de sintomas concretos — fadiga importante, disfunção erétil, queda de libido, perda de massa muscular —, com confirmação em segunda dosagem e atenção redobrada a quem tem obesidade, onde só a testosterona livre conta a história real.

O painel hormonal feminino completo

É comum a paciente trazer um perfil hormonal completo — estradiol, progesterona, prolactina, LH, FSH — pedido “só para ver se está tudo em ordem”, sem nenhuma queixa menstrual ou reprodutiva. Acontece que esses hormônios sobem e descem de forma intensa ao longo do ciclo. Uma progesterona colhida no dia errado do ciclo pode parecer “baixa” sem que isso signifique absolutamente nada.

A cascata: valores comparados a uma faixa genérica, sem considerar em que fase do ciclo o sangue foi tirado, viram diagnóstico de “desequilíbrio hormonal” — e abrem caminho para tratamentos de correção que tratam o resultado do exame, não a mulher à frente.

Quando faz sentido pedir: quando há uma pergunta clínica de verdade — irregularidade menstrual, dificuldade para engravidar, sintomas de menopausa, suspeita de ovários policísticos —, sempre com o hormônio certo, colhido no momento certo do ciclo.

Coração: teste ergométrico, ecocardiograma e doppler de carótidas

Teste ergométrico

O teste ergométrico — caminhar ou correr na esteira com o coração monitorado — é o exame preferido de quem quer “ver se o coração aguenta” antes de voltar a treinar, ou só por precaução. Eu já tinha falado dele no Papai Noel infartou: apesar de alguns médicos o pedirem de rotina todo ano, ele não tem essa indicação.

A USPSTF, referência americana em medicina preventiva, recomenda contra esse rastreio em pessoa sem sintoma e de baixo risco cardiovascular: nesse grupo, ele gera muito mais “falso alarme” do que diagnóstico real. A Diretriz Brasileira de Ergometria em População Adulta (2024), da Sociedade Brasileira de Cardiologia, vai na mesma direção, com uma ressalva: em quem não tem sintoma, reserva o exame para quem soma mais de dois fatores de risco clássicos — hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, histórico familiar. Não para o check-up de quem não tem nenhum deles.

E aqui a cascata é o ponto mais importante, porque ela é longa — funciona como um efeito dominó. Um resultado alterado ou duvidoso costuma levar ao cateterismo cardíaco, o exame em que um cateter percorre as artérias do coração para enxergar se há entupimento. O cateterismo tem riscos próprios, e eles já foram medidos: alteração do ritmo do coração em cerca de 0,4% dos casos, sangramento, AVC em cerca de 0,07%, óbito em cerca de 0,1% (dados da própria USPSTF). Encontrada uma obstrução, a tendência quase automática é avançar para a angioplastia com colocação de stent — aquela pequena mola metálica que abre e mantém a artéria aberta, como expliquei no artigo do Papai Noel.

O ponto é este: na doença coronariana estável — quando não há infarto nem emergência em curso —, colocar o stent não prolonga a vida nem evita infarto melhor do que tratar com remédio bem ajustado. E quem mostrou isso não foi um estudo qualquer, foram dois dos maiores já feitos: o COURAGE, de 2007, e o ISCHEMIA, de 2020, este com mais de cinco mil pacientes. O stent melhora os sintomas de quem tem angina — isso sim —, mas não acrescenta tempo de vida nessa situação. É um raciocínio que a nova diretriz brasileira de doença coronariana crônica (SBC, 2025) também acompanha.

As situações em que colocar stent ou operar tem benefício claro e comprovado são bem delimitadas:

  • Infarto agudo ou angina instável (dor no peito que piora e não cede)
  • Obstrução grave na artéria principal que irriga o coração
  • Coração bombeando bem abaixo do esperado, ou insuficiência cardíaca mais avançada
  • Dor no peito que persiste mesmo com remédio em dose máxima

Fora disso, os próprios estudos mostram que adiar o procedimento e investir no tratamento clínico é seguro.

Quando faz sentido pedir o ergométrico: diante de dor no peito sugestiva de origem cardíaca, antes de exercício de alta intensidade em quem soma vários fatores de risco, ou no acompanhamento de quem já tem doença coronariana — nunca como triagem de quem não tem sintoma nem fator de risco relevante.

Ecocardiograma

O ecocardiograma de rotina — o ultrassom do coração — pedido sem sintoma e sem suspeita também não entra num check-up. A Choosing Wisely, junto com a Sociedade Americana de Ecocardiografia, desaconselha o uso em avaliação de rotina de quem não tem histórico nem sintoma de doença cardíaca.

A cascata, aqui, é mais branda do que nos outros exames do coração. O achado mais frequente num eco de pessoa saudável é um pequeno refluxo numa válvula — a chamada regurgitação leve —, presente em boa parte da população e quase sempre sem nenhum significado. O problema é que, uma vez no laudo, esse achado costuma gerar ecocardiogramas de “controle” repetidos ano após ano, sem que nada na conduta jamais mude.

Quando faz sentido pedir: sopro identificado no exame físico, falta de ar desproporcional, inchaço nas pernas, suspeita de arritmia ou acompanhamento de doença do coração já diagnosticada.

Doppler de carótidas

O doppler de carótidas — ultrassom das artérias do pescoço que levam sangue ao cérebro — é pedido com frequência por quem teme um AVC, sobretudo depois dos 50 ou 60 anos. A USPSTF recomenda explicitamente contra esse rastreio em pessoa sem sintoma na população geral, e a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, na sua diretriz mais recente sobre a doença das artérias do pescoço, segue a mesma cautela quando o assunto é operar um estreitamento que não dá sintoma.

A cascata: um achado de estreitamento da artéria em quem não tem sintoma abre a conversa sobre cirurgia (a endarterectomia, que remove a placa de gordura entupindo o vaso) ou sobre stent na carótida. E a USPSTF foi direta ao ponto: nesse cenário, o risco dessas intervenções supera o benefício esperado — porque o próprio procedimento carrega risco de AVC, exatamente o evento que se queria evitar.

Quando faz sentido pedir: diante de sintomas neurológicos que sugerem falta de sangue no cérebro por um curto período — perda de força ou de sensibilidade que vai embora sozinha, alteração na fala, perda súbita de visão. Não como rastreio de quem não tem sintoma, mesmo com fatores de risco.

Imagem e marcadores: USG transvaginal, USG de abdome e marcadores tumorais

Ultrassom transvaginal anual

Talvez nenhum exame esteja tão enraizado na rotina ginecológica brasileira quanto o transvaginal anual, pedido junto com o Papanicolau como parte do “check-up da mulher”. E, no entanto, como rastreio de câncer de ovário em mulher sem sintoma e sem risco hereditário (mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, síndrome de Lynch), a evidência aponta para o lado contrário.

A USPSTF recomenda contra o rastreio de câncer de ovário em mulheres sem sintoma, apoiada em estudos que acompanharam dezenas de milhares de mulheres sem encontrar redução de mortalidade com o transvaginal anual. O Colégio Brasileiro de Radiologia chega à mesma conclusão: nem o ultrassom nem sua combinação com o marcador CA-125 têm precisão suficiente para servir de rastreio na população geral.

A cascata é justamente o motivo da recomendação. O transvaginal encontra, com frequência, coisas sem importância — cistos simples, pequenas alterações ao lado do ovário que não significam nada — e cada um desses falso-positivos puxa novos exames e, em parte dos casos, uma cirurgia (por vídeo ou aberta, às vezes com retirada do ovário) em mulheres que nunca tiveram câncer. É essa cirurgia desnecessária que a USPSTF aponta como o dano central do rastreio. A FEBRASGO reforça que a maioria dos achados perto do ovário é benigna e, na maior parte das vezes, pede apenas acompanhamento — não bisturi.

Quando faz sentido pedir: diante de dor pélvica persistente, barriga estufada sem explicação, sensação de empachamento ao comer pouco ou sangramento fora do padrão — ou como rastreio intensificado em mulheres com mutação genética conhecida ou forte histórico familiar, sempre com aconselhamento genético.

Ultrassom de abdome total

Pedido “de rotina” ou “preventivo”, sem nenhum sintoma, o USG de abdome total não tem lugar no check-up padrão. A exceção clara — e vale conhecê-la — é o rastreio de aneurisma de aorta abdominal, aquele alargamento perigoso da maior artéria do corpo: recomendado uma única vez para homens entre 65 e 75 anos que já fumaram, grupo em que a evidência de reduzir mortes é boa.

A cascata: fora dessa indicação, o ultrassom de abdome é uma fábrica de achados incidentais — aqueles que aparecem por acaso, sem relação com o motivo do exame. Cisto simples no rim, hemangioma no fígado (um nódulo benigno feito de vasos), pequenos nódulos na adrenal: todos comuníssimos e, quase sempre, sem nenhuma relevância. Mas, uma vez no laudo, cada um deles leva ao pedido de tomografia ou ressonância “para esclarecer” algo que provavelmente nunca precisaria ser esclarecido — com custo, tempo e ansiedade que são bem reais.

Quando faz sentido pedir: dor abdominal persistente sem explicação, uma alteração no exame físico, um exame de sangue que aponte para um órgão específico — ou o rastreio de aneurisma no grupo de risco já citado.

Marcadores tumorais (CEA, CA-125, CA 19-9, AFP)

Os marcadores tumorais são proteínas que podem subir no sangue em alguns cânceres — mas também sobem em uma porção de condições benignas: inflamação, infecção, tabagismo, doença no fígado. Pedi-los como rastreio em quem não tem sintoma é uma das recomendações mais consistentes contra o exame desnecessário, e está entre as principais da Choosing Wisely Brasil, iniciativa que reúne sociedades médicas do país. Eles simplesmente não têm precisão para servir de triagem na população geral.

A cascata: um marcador elevado, sem um câncer já diagnosticado por trás, abre quase sempre uma sequência de exames de imagem e, por vezes, procedimentos invasivos — tudo para investigar uma elevação que tinha causa benigna desde o início.

Quando faz sentido pedir: no acompanhamento de um câncer já diagnosticado e tratado, para vigiar resposta ou recidiva. Nunca como rastreio em quem não tem diagnóstico prévio.

A cascata importa mais do que o exame

Repare que o fio que costura esses nove exames não é que eles sejam ruins. Todos têm seu lugar na medicina, quando pedidos com a indicação certa. O ponto é mais sutil — e mais importante: pedir um exame sem indicação muda as probabilidades contra você. Numa pessoa de baixo risco, a maior parte dos resultados “alterados” será falso-positivo. E cada falso-positivo carrega o potencial de abrir uma porta que ninguém precisava abrir: uma investigação, um encaminhamento, às vezes um procedimento invasivo, para resolver um problema que nunca esteve lá.

Não é excesso de cautela do médico, nem falta de cuidado com você. É reconhecer uma coisa simples: mais exame nem sempre é mais segurança. Às vezes é o caminho mais longo, e com mais risco, para chegar exatamente ao mesmo lugar.

Quando o seu caso muda tudo

Tudo o que está acima vale para quem não tem sintomas e não tem fatores de risco específicos. A sua história individual pode mudar completamente o que faz sentido pedir:

  • Um sintoma que aponte para um órgão ou sistema desloca o exame de “rastreio sem indicação” para “investigação indicada” — é uma fronteira que muda tudo.
  • Histórico familiar de câncer de ovário, doença coronariana precoce ou síndromes hereditárias pode antecipar e intensificar investigações que, de outra forma, não fariam sentido.
  • Obesidade, diabetes ou tabagismo mudam tanto a indicação quanto a interpretação de vários desses exames — a testosterona em quem tem obesidade é o exemplo mais direto.
  • Doenças já diagnosticadas têm seu próprio acompanhamento, com periodicidade própria, que não se confunde com o check-up de quem é saudável.

É por isso que a conversa na consulta — a história bem coletada, o exame físico, as perguntas certas — vale mais do que qualquer lista pronta de exames. É ela que separa o exame que vai ajudar daquele que só vai abrir aquela porta. Esse é, no fundo, o espírito da medicina sem pressa e da medicina baseada em evidências sobre as quais já escrevi aqui no blog.

Conclusão

Cada um desses nove exames tem o seu momento certo — definido por um sintoma, por um fator de risco, por um contexto clínico real. Nenhum deles tem o seu momento só por estar disponível na prateleira do laboratório ou por parecer “preventivo”.

Quando o seu médico não pede um exame que você esperava, isso não deveria gerar desconfiança. Deveria abrir uma conversa: o que estamos investigando, por quê, e o que esse exame mudaria na sua vida. Pedir exame de menos é tão problemático quanto pedir de mais — e a diferença entre os dois mora no quanto o seu médico conhece você.

Para o panorama completo do que vale a pena pedir, vale o Check-up médico: quais exames pedir?; para entender a lógica da prevenção como um todo, o Check-up médico: devo mesmo fazer?; e, se você quer alguém que coordene seu cuidado ao longo do tempo, escrevi também sobre o que é o médico de família e por que você deveria ter um.

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Um forte abraço.

*A imagem que ilustra este artigo foi gerada por inteligência artificial.


Principais referências

Dr. Angelo Bannack - Médico de Família

Dr. Angelo Bannack

Dr. Angelo Bannack é médico de família e comunidade em Curitiba, com atuação em consultório particular e atendimento domiciliar. Trabalha com foco em prevenção, check-ups personalizados e acompanhamento contínuo baseado em evidências.

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