Check-up médico: devo mesmo fazer? E qual médico escolher para fazer do jeito certo

Dr. Angelo Bannack

Atualizado há 1 dia

Um dos motivos para alguém procurar um médico é para a realização do chamado check-up. Diariamente recebo vários pacientes exigindo esse ou aquele exame, transformando o consultório numa verdadeira prateleira de saúde com um cardápio variado para todos os gostos. Na visão de muitas pessoas, ir ao médico e pedir um monte de exames é uma forma de garantir sua saúde. Mas será que fazer um check-up médico é isso mesmo? Fazer mais exames é sempre a melhor coisa? Uma consulta uma vez por ano e tendo os exames com os resultados dentro do padrão considerado normal é o mais adequado?

Neste artigo tento responder a essas e outras perguntas. No final discuto sobre os exames recomendados para cada idade e também os problemas em se fazer exames desnecessários. 

Boa leitura.

*Prefere assistir? O conteúdo deste artigo também está disponível no vídeo abaixo. 

Vídeo: CHECK-UP médico: devo mesmo fazer?

CHECK-UP: Será que seu médico está fazendo correto?

O que é um check-up médico?

Os cuidados de saúde de qualidade incluem dois elementos fundamentais: tratamento apropriado para doenças existentes e cuidados preventivos adequados para tentar amenizar problemas futuros de saúde [CDC]. O termo check-up (checkup ou ainda checape) significa algo como checar ou conferir. Na medicina é utilizado para designar justamente os cuidados preventivos. E como preventivo não está incluído apenas um conjunto de exames para avaliar se há algum problema de saúde, isto é mais um rastreio de doenças pré-existentes do que a prevenção delas. É também um momento de o médico conversar e entender os hábitos de vida do paciente e tentar propor medidas de intervenção, de forma a evitar doenças futuras ou reduzir os seus potenciais danos. O aconselhamento para parar de fumar é um bom exemplo de prevenção de doenças. A medida da glicose em jejum é um exemplo de rastreio de uma doença já existente, no caso o diabetes

O principal motivo de um check-up médico é detectar alguma condição que possa ser modificada objetivando alguma melhora, seja reduzindo sintomas ou o aparecimento de outras doenças, ou ainda aumentando a expectativa de vida. Detectar precocemente que o colesterol está elevado e realizar mudanças de estilos de vida, como fazer atividade física e reduzir o consumo de gorduras – especialmente as saturadas, pode ajudar a evitar um infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral), aumentando o tempo de vida e reduzindo a probabilidade de sequelas muitas vezes graves.

O que diz a ciência sobre o check-up médico?

Muitos estudos são realizados para tentar definir se um determinado exame é útil para detectar precocemente alguma condição modificável ou ainda a existência de alguma doença que possa ser tratada precocemente. As principais dificuldades são saber quando e com que frequência os exames devem ser realizados, que exames realizar, que condições tratar e quando tratar. Como a medicina baseada em evidências é bastante complexa e muitas vezes mal compreendida inclusive pelos médicos, algumas iniciativas surgem para tentar facilitar esse processo. São inúmeras as sociedades e associações médicas que fazem guias e diretrizes com recomendações de exames de rotina e tratamento de doenças. No Brasil podemos citar algumas sociedades específicas como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que têm várias diretrizes para rastreio e prevenção de doenças cardíacas, como hipertensão e dislipidemias, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia que têm recomendações sobre rastreios de câncer de mama e colo do utero (liberados apenas para médicos associados) e a Sociedade Brasileira de Urologia com diretrizes sobre rastreio de câncer de próstata.

O Ministério da Saúde brasileiro também conta com um conjunto de diretrizes dos mais variados assuntos.

Porém, a iniciativa independente que contempla o maior número de temas de saúde além de ser constantemente atualizada é a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF). Criada em 1984, a USPSTF é um grupo independente de especialistas composta por 16 membros voluntários que vêm das áreas de medicina preventiva e atenção primária, incluindo medicina interna, medicina de família, pediatria, saúde comportamental, obstetrícia/ginecologia e enfermagem. O grupo trabalha fazendo recomendações baseadas em evidências sobre serviços preventivos clínicos, como exames, serviços de aconselhamento e medicamentos preventivos. 

As recomendações que seguem nesse artigo são as reforçadas pela USPSTF.

Quando fazer um check-up?

Não há um consenso sobre quando fazer e nem sobre a periodicidade, porém parece ser razoável que pessoas saudáveis (que não tenham nenhum problema de saúde) procurem um médico uma vez por ano a partir dos 40 anos de idade para a realização de check-ups. Pessoas mais jovens podem e devem procurar um médico antes disso, principalmente para os rastreios de cancer de colo de útero nas mulheres, rastreio de doenças sexualmente transmissíveis em jovens, e eventualmente rastreio de alguma outra doença (comorbidade), porém não há estudos definitivos sobre a periodicidade de check-ups antes dos 40 anos de idade.

Pessoas que têm alguma doença pré-existente (câncer, diabetes, colesterol alto, entre outras) em algum parente de 1º grau (pai, mãe, irmãos) deve procurar um médico 10 anos antes (esse é o tempo padrão mais encontrado nos estudos) do aparecimento da doença no familiar. Por exemplo, uma mulher cuja mãe teve um câncer de mama descoberto aos 45 anos de idade, pode se beneficiar de fazer um rastreio para cancer de mama a partir dos 35 anos de idade.

Se você já tem uma doença conhecida, a periodicidade de consulta com o médico pode ser outra. Recomendo que consulte seu médico e siga sua recomendação.

Qual médico procurar para fazer um check-up?

A medicina atual é bastante fragmentada — há médicos especializados em cada órgão do corpo, cada doença, cada faixa etária. Para doenças específicas e situações de alta complexidade, essa especialização é fundamental. Mas para o check-up periódico, o raciocínio é diferente.

O check-up não é sobre um órgão. É sobre você — sua história, seus hábitos, sua família, seus riscos individuais. Por isso, o profissional mais indicado para realizá-lo é alguém que consiga enxergar esse conjunto: o médico de família e comunidade.

O médico de família é o especialista em atenção primária — formado para atender desde crianças até idosos, para tratar tanto problemas agudos do dia a dia quanto condições crônicas, e especialmente para conduzir consultas preventivas baseadas em evidências. É o profissional que mais trabalha com as diretrizes de rastreio preventivo — como as do USPSTF e da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) — exatamente porque o check-up é parte central de sua prática diária.

Especialistas como cardiologistas, endocrinologistas ou urologistas têm papel insubstituível quando há um problema já identificado. Para o check-up preventivo, porém, o foco restrito pode ser uma limitação: um cardiologista faz um excelente rastreio cardiovascular, mas o check-up envolve também rastreio de cânceres, avaliação de saúde mental, revisão vacinal e muito mais. Além disso, é natural que cada especialista tenda a solicitar exames da sua área — inclusive alguns que não têm indicação para pessoas sem sintomas. Um exemplo frequente é o teste ergométrico: apesar de aparecer em muitos pacotes de check-up, sua principal indicação é a investigação de sintomas como dor no peito ou falta de ar. Em pessoas sem esses sintomas, as próprias diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e do USPSTF não recomendam o exame de rotina — e um resultado alterado pode desencadear uma cadeia de outros procedimentos com mais riscos do que benefícios.

O médico de família, por formação e vocação, está habituado a esse olhar amplo — e a saber quando não pedir exames, o que é tão importante quanto saber quando pedir.

Outro diferencial importante é o acompanhamento longitudinal: quando o médico te conhece ao longo do tempo, sabe o que mudou desde a última consulta, conhece seu histórico familiar e seus exames anteriores. Esse contexto acumulado é algo que nenhum pacote de exames consegue replicar — e é ele que permite pedir o que é realmente necessário, nem mais, nem menos.

Independentemente de qual médico você escolha, o mais importante é que seja alguém em quem você confie, que te escute com atenção e que consiga adaptar as recomendações gerais — baseadas em populações — para as suas particularidades. Sobre isso escrevi mais no artigo sobre a Medicina Sem Pressa.

Se você está em Curitiba e quer realizar um check-up personalizado, conheça como funciona o check-up no consultório.

Quais exames devem ser realizados?

Doenças cardiovasculares

Para pessoas acima de 40 anos os principais exames recomendados são os para detecção de fatores de risco e prevenção de doenças cardiovasculares. Dentre eles pode-se destacar:

  • Avaliação de obesidade e sobrepeso: O excesso de peso por si só já é fator de risco para doenças cardiovasculares. Existem diversas formas de se medir, inclusive com balanças modernas e chiques que usam processos de bioimpedância para tentar definir se uma pessoa tem excesso de gordura ou não. Porém, o mais validado cientificamente e utilizado na prática médica é o Índice de Massa Corporal (IMC), que corresponde a medida do peso em quilogramas, dividido pela altura ao quadrado [IMC= peso/ (altura*altura)]. Valores acima de 25 indicam sobrepeso e acima de 30 obesidade.
  • Medição da pressão arterial: Medida no consultório médico durante a consulta. Também recomendado medir anualmente, independentemente da idade, para pacientes com sobrepeso ou obesos (IMC acima de 25). Em caso de alterações o médico pode pedir um monitoramento da pressão em casa (Auto Medida de Pressão Arterial – AMPA) ou ainda com o monitoramento com um aparelho que mede a pressão arterial durante 24 horas num exame chamado de MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial). A hipertensão arterial pode trazer consequências como sobrecarga no coração ou ainda favorecer o entupimento de artérias. Leia mais em meu artigo sobre Pressão Alta
  • Perfil lipídico. Compreende a medida do Colesterol Total, Triglicerídeos, LDL e HDL. Dependendo dos valores o médico poderá indicar ajustes na dieta, atividade física ou medicamentos. O LDL nem sempre é medido, podendo ser calculado com base nos outros exames. 
  • Rastreio de Diabetes: Pode ser realizado com a glicose em jejum ou ainda associado a medida de hemoglobina glicada. A diabetes é uma doença que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e por isso sua detecção e tratamento precoces podem ser benéficos. Leia mais sobre a doença e esses exames no meu artigo sobre diabetes.

Cancer

Alguns canceres possuem rotinas de rastreio bem estabelecidas. Os exames costumam ser chamados de preventivos, mas na verdade não previnem o câncer, e sim permitem o diagnóstico precoce, possibilitando tratamento rápido e evitando sequelas graves. Dentre os rastreios recomendados estão:

  • Cancer de mama: O rastreio de cancer de mama deve ser realizado com mamografias a partir dos 50 anos de idade (40 anos para pacientes selecionados) e com periodicidade bianual (apesar de menor evidência, algumas diretrizes recomendam anualmente). A recomendação é de realizar mamografia até os 69 anos de idade ou até a expectativa de vida menor do que 10 anos. A realização do autoexame das mamas não tem boa evidência, sendo a mamografia de maior sensibilidade e especificidade.
  • Cancer de colo de útero: O rastreio de câncer de colo de útero passou por uma atualização importante nas diretrizes do Ministério da Saúde em 2025. A recomendação atual é iniciar o rastreio a partir dos 25 anos de idade em mulheres com vida sexual ativa, pois o principal fator de risco para esse câncer é a infecção pelo vírus HPV, transmitido por relação sexual. A grande mudança é o método: o rastreio passa a ser feito preferencialmente pelo teste de DNA-HPV, que detecta diretamente a presença do vírus — e não apenas as alterações celulares que ele causa. Por ser mais sensível, a periodicidade recomendada é de uma vez a cada 5 anos, até os 65 anos de idade. Em caso de resultado alterado, o médico indicará a conduta e periodicidade adequadas para cada situação. Mulheres que fizeram cirurgia de remoção do útero com retirada do colo (histerectomia total) não precisam ser rastreadas. Converse com seu médico para saber qual estratégia se aplica ao seu caso.
  • Cancer de intestino (colorretal): A recomendação mais atual é de iniciar o rastreio aos 45 anos de idade até os 75 anos. Pode ser feito com colonoscopia a cada 10 anos ou com exame anual de pesquisa de sangue oculto nas fezes (Teste Imunoquímico Fecal – FIT). Indivíduos que tenham histórico de cancer de intestino na família podem se beneficiar de outras estratégias.
  • Além de exames, as mudanças de estilo de vida e hábitos saudáveis são sempre benéficos para ajudar a evitar os canceres:

Vacinas

Outra questão importante nos check-ups é garantir que a vacinação esteja em dia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, dentre as vacinas indicadas para adultos brasileiros estão:

  • Tétato – dT ou dTpa: Uma dose de reforço a cada 10 anos, preferenciamente com dTpa, que também protege contra coqueluche.
  • Influenza: anualmente.
  • Covid: Com 2 doses ou conforme esquema determinado pelo Ministério da Saúde.
  • Herpes Zoster: Dose dupla para pessoas acima de 50 anos.
  • Pneumocócica (Pneumonia): Indicada para idosos à partir dos 60 anos. Dois esquemas possíveis: Dose única com VPC20 (na rede privada) ou então com uma dose de VPC13 (ou VPC15) seguida de 2 doses de VPP23 (primeira dose 6 meses depois da VPC13/VPC15 e a segunda dose 5 anos depois). Também recomendada para portadores de doenças pulmonares e algumas outras doenças antes dos 60 anos.
  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Indicada para idosos à partir dos 70 anos em dose única ou antes para casos selecionados. O VSR pode causar pneumonia em idosos.

Apenas as vacinas dT, Influenza e Covid estão disponíveis nas unidades de saúde e a VPP23 para casos específicos . As demais vacinas somente nas clínicas privadas de vacinação.

Para saber mais consulte meu artigo sobre vacinas para adultos e idosos.

Infecções Sexualmente Transmissíveis

Algumas doenças sexualmente transmissíveis possuem indicação de rastreio para todas as pessoas sexualmente ativas. A periodicidade não é bem definida e deve ser individualizada a cada caso:

  • HIV: O rastreio com o teste Elisa é um dos mais comuns no nosso país.
  • Hepatite B: Normalmente é realizado o rastreio com o teste Antígeno de superfície da Hepatite B (HBsAg). Em caso positivo, outros testes podem ser utilizados para se definir se a doença é recente ou antiga.
  • Hepatite C: O teste de rastreio é a pesquisa de anticorpos anti-HCV.
  • Sífilis: A sífilis é uma doença curável, mas mesmo quem já teve pode se reinfectar. Para quem nunca teve e nem tratou sífilis o rastreio é normalmente feito com um teste de anticorpos não treponêmicos. Para quem já tratou é comum o rastreio com um teste chamado de VDRL.

Doenças psiquiátricas

Dentre as doenças psiquiátricas mais prevalentes e que tem recomendação de rastreio pela USPSTF em toda consulta médica estão: 

Doenças ósseas

A osteoporose é a doença óssea mais prevalente em nosso meio. O USPSTF recomenda rastreio com exame de densitometria óssea para os seguintes grupos:

  • Mulheres na pós-menopausa com idade menor do que 65 anos e com risco para fraturas (uso de corticoide, fratura prévia, baixo peso, tabagista, consumo excessivo de álcool, artrite reumatoide).
  • Mulheres acima de 65 anos.
  • Homens com histórico de fraturas por traumas leves, algumas terapias para cancer de próstata, hipogonadismo, distúrbios intestinais, hiperparatireoidismo.

A densitometria deve ser repetida a cada 2, 5 ou 10 anos dependendo do resultado do exame anterior.

Exames com pouca evidência de serem pedidos de rotina

A menos que se tenham fatores de risco ou outras doenças associadas, alguns exames não trazem benefícios de serem realizados em pacientes sem sintomas e com baixo risco. Entre eles podem-se citar:

  • Cultura de Urina: A menos que seja em gestantes, ou que tenha algum sintoma ou condição que o justifique, não há nenhum benefício comprovado em se medir nem muito menos tratar uma infecção urinária sem sintomas associados, portanto não é um exame que faz parte do checkup de pessoas sem sintomas ou doenças. 
  • Hipotireoidismo: Apesar de ser uma doença bastante prevalente, a detecção e o tratamento precoces de hipotireoidismo em pacientes sem sintomas não parece mudar o desfecho nem aumentar a expectativa de vida. É realizado com a dosagem do Hormônio Tireoestimulante (TSH).
  • Deficiência de vitamina D: Os estudos são conflitantes, mas até o momento não parece haver benefícios em dosar vitamina D em pacientes que não tenham sintomas, a menos que o paciente tenha pouca exposição solar, osteoporose ou alguma condição de mal absorção de nutrientes.
  • Eletrocardiograma (ECG): A maioria dos infartos ocorre em pessoas com ECG normal e muitos achados de ECG não trazem nenhuma consequência. Devem ser pedidos dependendo dos achados de exame físico ou sintomas do paciente.
  • O teste ergométrico (teste de esteira) é um bom exemplo de exame que aparece com frequência em pacotes de check-up, mas cuja principal indicação é a investigação de sintomas como dor no peito ou falta de ar. Em pessoas sem esses sintomas, os estudos não demonstram benefício — e um resultado positivo pode iniciar uma cadeia de outros exames e procedimentos que trariam mais riscos do que a ausência do teste.
  • Testes genéticos: a ciência ainda não determinou os benefícios desse tipo de rastreio. Descobrir que você tem um gene alterado que o predispõe a ter Alzheimer, por exemplo, não parece trazer benefícios, visto que é uma doença ainda sem cura.

Qual o problema de fazer exames não recomendados?

Exames não são perfeitos e estão sujeitos a resultados falso positivos. Além disso os valores de referência são baseados em médias da população em geral consideradas “saudáveis”. A simples ansiedade gerada pela expectativa do resultado de um exame já pode ser considerada para a tomada de decisão sobre realizar ou não um exame. Após o resultado de um exame positivo, uma cadeia de eventos é disparada. Outros exames são pedidos, às vezes invasivos, com procedimentos que perfuram o corpo para obter amostras para biópsias em microscópios, ou até mesmo cirurgias diagnósticas com necessidade de sedação. Quando bem recomendado, é um preço a se pagar, mas se o exame foi mal indicado, esses procedimentos podem trazer sequelas graves.

Lembro do caso de um colega médico que passou por um rastreio de obstrução de carótidas (os vasos que levam sangue para o cérebro). Era um paciente jovem, pedalava todos os finais de semana mais de 80km, praticava natação e trabalhava diariamente em seu consultório. Não tinha indicação alguma de tal exame, porém o laudo apresentou uma obstrução significativa de uma das artérias, o que acabou motivando uma cirurgia de desobstrução. Era uma cirurgia de risco, pois poderia haver a liberação de um coágulo provocando um AVC, e foi exatamente o que ocorreu. O médico ficou com sequelas motoras em parte de seu corpo, além de dificuldade na fala. Nunca mais nadou, nem andou de bicicleta. Este tipo de intervenção médica que acaba prejudicando o paciente é chamado de iatrogenia. Se tiver interesse, leia meu texto sobre a iatrogenia, com o relato de outro caso que ilustra melhor o tema.

Além disso, alguns rastreios em pacientes idosos podem trazer mais sequelas e consequências danosas do que benefícios reais. É difícil saber a hora de parar de fazer os check-ups, mas alguns estudos apontam poucos benefícios quando a expectativa de vida é menor do que 10 anos. Porém, entendo que essa é uma decisão que deve ser compartilhada com o médico, pois cada caso é um caso.

Conclusão

Um check-up médico consiste em uma consulta médica, contemplando desde a conversa com o médico, o exame físico com aferição de pressão arterial, verificação de peso, entre outros, e a solicitação de um conjunto de exames que deve ser individualizado para cada pessoa. Parece ser razoável procurar um médico anualmente a partir dos 40 anos de idade para a realização do check-up. Optar por um médico generalista como um Médico de Família pode ser uma opção, mas o mais importante é ter um médico em que se confie. Alguns exames, quando mal solicitados, podem acabar trazendo malefícios com diagnósticos equivocados ou uma sequência de outros exames desnecessários.

Se ainda ficou com dúvida, pergunte nos comentários ou entre em contato diretamente. Se você está em Curitiba e quer agendar um check-up, conheça como funciona e agende sua consulta.

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Até a próxima.

Perguntas frequentes sobre check-up médico

Médico de família faz check-up?

Sim. O médico de família e comunidade é o especialista mais indicado para check-ups periódicos. Sua formação é voltada para o cuidado integral e longitudinal — ele acompanha crianças, adultos e idosos, trata condições agudas e crônicas, e conduz consultas preventivas baseadas nas principais diretrizes de rastreio, como as do USPSTF e da SBMFC.

Quais exames devem ser feitos no check-up?

Não existe uma lista única. Os exames são definidos de acordo com a idade, o histórico médico e os fatores de risco individuais de cada pessoa. De forma geral, incluem avaliação cardiovascular (pressão arterial, colesterol, glicose), rastreio de cânceres prevalentes (mama, intestino, colo de útero conforme indicação), revisão do calendário vacinal e rastreio de algumas doenças psiquiátricas como depressão e ansiedade.

Qual o problema de pedir exames desnecessários no check-up?

Exames sem indicação podem gerar resultados falso-positivos, desencadeando uma cadeia de outros exames — às vezes invasivos — sem benefício real. Além da ansiedade gerada, procedimentos diagnósticos desnecessários têm riscos próprios. Um check-up bem conduzido começa pela consulta e pelo exame físico, e os exames complementam — não substituem — essa avaliação.

A partir de que idade devo fazer check-up anual?

A recomendação geral é iniciar check-ups anuais a partir dos 40 anos para pessoas sem doenças conhecidas. Antes disso, a periodicidade depende dos sintomas e do histórico médico de cada pessoa. Quem tem histórico familiar de doenças como câncer ou diabetes pode se beneficiar de rastreios mais precoces — o ideal é discutir com seu médico.

O check-up é coberto pela Unimed?

Depende do plano e da cobertura contratada. No consultório do Dr. Angelo Bannack em Curitiba, o check-up é realizado pela Unimed e de forma particular (PIX, débito ou crédito), no bairro Bigorrilho.

Médico de família faz check-up melhor do que um especialista?

Para o check-up periódico de saúde geral, sim — e pela natureza da especialidade. O médico de família é formado para uma visão integral do paciente, conhece as diretrizes de rastreio preventivo e, por acompanhar o paciente ao longo do tempo, consegue adaptar os exames à sua história individual. Especialistas como cardiologistas ou endocrinologistas têm papel essencial no tratamento de doenças já diagnosticadas, mas o check-up preventivo vai além de um órgão ou sistema.


*Imagem que ilustra este artigo: © DragonImages via canva.com.

Dr. Angelo Bannack - Médico de Família

Dr. Angelo Bannack

Dr. Angelo Bannack é médico de família e comunidade em Curitiba, com atuação em consultório particular e atendimento domiciliar. Trabalha com foco em prevenção, check-ups personalizados e acompanhamento contínuo baseado em evidências.

4 comentários em “Check-up médico: devo mesmo fazer? E qual médico escolher para fazer do jeito certo”

  1. Gosto muito de seus artigos. É bom ler sobre dúvidas que temos sobre a saúde com quem trabalha diretamente com pacientes. Principalmente, nos dias atuais que nos vem uma enxurrada de reportagens e que, muitas vezes, ficamos com dúvidas e os autores apenas despejam seus conhecimentos sem nos dar a oferta de perguntas sobre o assunto.

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    • Obrigado Claudete. A Internet foi um grande avanço na popularização do acesso a informação. O grande problema é obter informações confiáveis. Estou me esforçando para tentar trazer textos com conteúdo baseado em evidências e que sejam realmente úteis. Um forte abraço.

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